quinta-feira, 20 de março de 2014

Chegou a Primavera às 16:57 de 20 de março de 2014

A primavera chega hoje à tarde às 16:57, quando o dia tem a mesma duração da noite.
Todos os anos o início da estação difere (por vezes é no dia 21), devido ao alinhamento da terra em relação ao Sol e também porque a Terra não é um círculo perfeito nem o seu movimento é igual.
A hora do início do equinócio da primavera depende desses ajustamentos devido ao eixo de rotação do planeta e o mesmo acontece nas outras três estações. Os dias vão agora começar a ficar cada vez maiores até ao equinócio do outono, quando voltam a ser iguais às noites.
No hemisfério sul, na cidade de Ushuaia, Argentina, uma das mais a sul do planeta, o sol vai nascer às 10:30 e pôr-se às 22:46. E no ponto mais setentrional (a norte), numa pequena localidade da ilha de Spitsbergen chamada Longyerbyen, o sol nasce às 04:52 e põe-se às 17:21. Doze horas em ambos os casos.
Excetuando quem vive na linha do equador, tudo muda a seguir. Se em Portugal os dias vão ficando maiores (mais horas de luz solar) à razão de um minuto em cada 24 horas, naqueles locais a diferença é de 15 minutos diários. Quando chegar o verão de Portugal, Longyerbyen terá dias intermináveis e Ushuaia a noite mais longa.
Nos dias a seguir e nos anteriores (à primavera) as diferenças são mínimas em Portugal, indicam uma chegada discreta de uma estação que simbolizava o início do verão (que chega oficialmente a 21 de junho). 
A palavra deriva da expressão em latim «primo ver», ou primeiro verão.
É na verdade associada aos dias de sol, ao renascer da natureza e ao calor. Mas também às alergias provocadas pelos pólenes, cada vez mais agressivos devido à poluição, de acordo com especialistas.
E é ainda ela que determina a Páscoa, que é marcada para o domingo que se seguir à primeira noite de lua cheia após o equinócio.
Adaptado de: http://www.iol.pt/push/iol-push---sociedade/primavera-primavera-2014-ipma-meteorologia-previsoes-tvi24/1545635-6182.html
Daqui para a frente a primavera serás quase sempre a 20 de março e o que aprendemos desde a nossa tenra idade cai por terra...

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Mão biónica consegue “sentir”

A primeira prótese a proporcionar sensações ao utilizador foi descrita como “simplesmente incrível”.
O teste foi efetuado por um amputado dinamarquês, Dennis Aabo Sørensen, que há mais de um ano colabora neste projeto com cientistas da Suíça e Itália.
O objetivo é proporcionar sensações de toque para amputados com próteses mecânicas.
“A mão tem vários sensores ligados a cada tendão de cada dedo. Podemos usar estes tendões para conhecer a força empregue para agarrar ou segurar objetos. Esta informação serve para proporcionar um estímulo muito preciso aos vários nervos permitindo criar no sistema nervoso central uma sensação em tempo real”, afirma Silvestro Micera, professor na EPFL e na Escola Sant’Anna de Estudos Avançados.
Encorajados pelo sucesso deste protótipo, os cientistas já estão a trabalhar na miniaturização dos circuitos sensoriais.
“A primeira vez que ligaram e testaram a nova mão foi incrível. De repente comecei a sentir coisas que não sentia há muitos anos. Agora consigo sentir as formas e contornos dos objetos, posso sentir objetos duros e macios, tudo isso é incrível”, diz Dennis Aabo Sørensen, que
utilizou a mão biónica durante um mês, período máximo permitido legalmente.
Segundo os cientistas, o próximo passo será criar uma prótese de longa-duração.
Copyright © 2014 euronews
Retirado de: http://pt.euronews.com/2014/02/06/mao-bionica-consegue-sentir/

Imagem retirada de: http://www.diariodepernambuco.com.br/app/noticia/ciencia-e-saude/2014/02/05/internas_cienciaesaude,488021/amputado-tem-implantada-protese-de-mao-que-restitui-o-tato.shtml


domingo, 10 de novembro de 2013

O exoplaneta mais parecido com a Terra é um mundo infernal

Planeta rochoso tem tamanho e massa semelhantes à Terra, mas dá volta à sua estrela em apenas 8,5 horas. Resultados fazem sonhar com a descoberta de Terras em locais compatíveis com a vida.


Em Kepler-78b, o pôr do Sol é gigante. Imagine uma estrela a ocupar metade do céu entre o horizonte e o zénite. E ainda rochas fundidas à superfície devido a temperaturas muito altas. Kepler-78b gira a uma distância mínima do seu sol e completa uma volta em apenas 8,5 horas. Está tão perto daquela estrela que os astrónomos consideraram que pertence a uma nova classe de planetas. É um mundo quente, infernal, o oposto da nossa realidade amena, e incompatível com a vida que conhecemos. E, no entanto, duas equipas de astrofísicos fizeram, separadamente, medições deste exoplaneta e descobriram que, das centenas que já se conhecem, o Kepler-78b é o mais semelhante à Terra no tamanho, na massa e na densidade.
Os artigos com os resultados das duas equipas são publicados nesta quarta-feira na edição online da revista Nature. Uma das equipas inclui um investigador português Pedro Figueira.
Por onde começar a procurar vida noutros planetas? Os astrofísicos gostariam de começar essa procura em sítios com as características do nosso mundo. O ideal seria mesmo encontrar um planeta-irmão da Terra, de tamanho e massa semelhantes, a girar à volta de uma estrela com dimensão e idade equivalentes à do Sol e na mesma zona de habitabilidade. Ou seja, suficientemente perto da sua estrela para o calor impedir a água de congelar, mas não tão perto que a fizesse evaporar-se para o espaço.
Mas até agora, ainda não encontraram a Terra número dois.
Desde 1995, quando se descobriu o primeiro planeta fora do nosso sistema solar, já se identificaram com certeza perto de 1000 exoplanetas. Alguns deles aproximam-se daquilo que os cientistas procuram. Há exoplanetas que são super-Terras, têm duas a dez vezes a sua massa, alguns estão em regiões onde pode haver água líquida. Há outros têm massa equivalente à da Terra, mas situam-se em regiões que se adivinham mortas.
Ninguém está à espera de encontrar vida em Kepler-78b. Quando foi noticiada a sua descoberta, em Agosto deste ano, sabia-se pouco: estava a 700 anos-luz de distância, na constelação do Cisne, girava em redor de uma estrela um pouco mais pequena do que o Sol, completando uma volta em 8,5 horas. Mercúrio, a 58 milhões de quilómetros do Sol, demora 88 dias.
Agora, a equipa norte-americana liderada por Andrew Howard, da Universidade de Manoa, no Havai, e a equipa internacional liderada por Francesco Pepe, da Universidade de Genebra, na Suíça, — com quem colaborou Pedro Figueira, do Centro de Astrofísica da Universidade do Porto (CAUP) — obtiveram novas informações que permitem perceber como este planeta é especial.
Este exoplaneta, segundo as duas equipas, tem entre 1,69 e 1,87 vezes a massa da Terra e entre 1,2 e 1,16 vezes o seu tamanho. Estas duas medições permitem inferir que a sua densidade é muito semelhante à do nosso mundo, o que permite afirmar que é um planeta rochoso. É o mais próximo que temos de um duplo da Terra, até agora.
“É um planeta do tipo da Terra porque é do mesmo tamanho e tem a mesma massa, mas claro que é diferente da Terra ao ter mais 2000 graus de temperatura”, diz, em comunicado, Josh Win, astrofísico do Instituto de Tecnologia do Massachusetts e membro da equipa de Andrew Howard. “É um passo em frente no estudo de verdadeiros planetas como a Terra.”
Os dois grupos de cientistas serviram-se da informação do telescópio espacial Kepler para conseguir obter a informação sobre o tamanho do planeta. Este telescópio da NASA, dedicado a identificar planetas extra-solares, deixou de funcionar este ano. Tinha uma câmara que fotografava milhares de estrelas, para medir variações na sua luminosidade associada à passagem de um planeta à frente de uma estrela. Quando tal acontece, a estrela fica com uma sombra mínima e o brilho diminui, o que denuncia essa passagem.
De seguida, os cientistas mediram a massa do planeta. Para isso, a equipa de Andrew Howard usou o espectrómetro HIRES instalado num dos telescópios Keck, no Havai, e a equipa de Francesco Pepe, fez as suas observações com o HARPS-N, um espectrómetro para caçar planetas instalado no Observatório de Muchachos, em La Palma, nas Canárias, Espanha.
Para se obter a massa do planeta, foi necessário medir o efeito gravítico que Kepler-78b tem na estrela. Esse efeito provoca uma oscilação na estrela, cuja reverberação é captada nas ondas de luz que chegam àqueles espectrómetros.
Segundo o CAUP, o trabalho de Pedro Figueira foi importante para aumentar a sensibilidade destas medições. De outra forma, seria impossível chegar a estas conclusões sobre um planeta tão próximo de uma estrela. Aliás, o Kepler-78b faz parte de um novo grupo de planetas com um período ultracurto de movimento em torno da sua estrela.
Mas esta descoberta também aproxima a comunidade científica do sonho de encontrar uma Terra numa zona propícia para a vida. Com este novo grau de sensibilidade, é possível pensar em identificar planetas com as dimensões da Terra, mas mais distantes de estrelas que sejam mais pequenas e frias do que o nosso Sol, e na zona de habitabilidade desses sistemas, sugere Drake Deming, num artigo de análise sobre estas novidades, também da Nature: “Desta forma, a descoberta de Kepler-78b faz pressupor um avanço na procura de vida para lá do sistema solar.”

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Eclipse parcial do Sol visto em Portugal no dia 3 de novembro de 2013

Este domingo (3/11/2013), a Lua tapou o Sol. Na África equatorial, o eclipse foi completo, com a Lua a tapar integralmente o Sol às 13h52. Em São Tomé e Príncipe, o eclipse foi quase completo (98% às 13h44). O fenómeno astronómico foi ainda visível no leste da América do Norte, no Norte da América do Sul, no extremo da Europa Ocidental, na África e no Médio Oriente. Em Lisboa, o pico do eclipse aconteceu às 12h23, mas com apenas 14% do Sol ocultado.

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Não devemos dormir num quarto com plantas. Isto significa que não é saudável dormir numa floresta?



Durante o dia, as plantas transformam a luz solar em energia química, num processo designado por fotossíntese. Um dos seus produtos da reação é o oxigénio (O2). De noite, o processo é inverso e as plantas absorvem o oxigénio e libertam dióxido de carbono (CO2). Isto explica por que razão é que retiram as flores e as plantas das enfermarias dos hospitais durante a noite, dado que se pensa que as pessoas que já estão doentes não precisam de disputar o oxigénio com as plantas, embora até agora ninguém tivesse provado que as plantas fazem mal à nossa saúde. Mas quaisquer insetos que estejam escondidos nas flores podem fazê-lo, o que poderá ser uma boa razão para não tê-las junto de si, quando está a dormir.
Se está a pensar em dormir numa floresta e está preocupado com a possibilidade de ter que se deparar com a falta de oxigénio, não se preocupe. Existe tanto oxigénio no ar que ele é suficiente para as plantas e para os seres humanos. Portanto, durma descansado.

Fonte: Heiney, Paul (2007) Será que os Gatos têm Umbigos?, Mem Martins: Publicações Europa-América

sábado, 12 de outubro de 2013

Nobel da Química de 2013 para modelização por computador de reações químicas

Os laureados deste ano conseguiram “aproveitar o melhor de dois mundos”, combinando física clássica e quântica para simular de forma realista as mais complexas interações moleculares.
“O Prémio Nobel da Química de 2013 foi para Martin Karplus (Universidade de Estrasburgo, França, e Universidade de Harvard, EUA), Michael Levitt (Universidade de Stanford, EUA) e Arieh Warshel (Universidade da Califórnia do Sul, EUA), “pelo desenvolvimento de modelos multiescala para sistemas químicos complexos", anunciou ontem em Estocolmo a Real Academia Sueca das Ciências.
Martin Karplus, austríaco e norte-americano, nasceu em 1930 e é bioquímico; Michael Levitt, britânico e norte-americano, é biofísico e nasceu na África do Sul em 1947; Arieh Warshel, israelita e norte-americano, é químico e bioquímico e nasceu em 1940.
Hoje em dia, a simulação das mais complexas reações químicas no computador é prática corrente. Mas isso não foi sempre assim. De facto, os três laureados “construíram as bases dos potentes programas [informáticos] que são [hoje] utilizados para perceber e prever os processos químicos”, salienta a mesma entidade em comunicado. Como, por exemplo, a ação de um potencial medicamento sobre o seu alvo no corpo, que permite hoje desenhar moléculas com propriedades terapêuticas antes de as testar experimentalmente.
No passado, os químicos construíam modelos das moléculas que estudavam com bolas a representar os átomos e arames para as ligações entre átomos (basta lembrar-se do famoso modelo tridimensional da molécula de ADN, construída nos anos 1950, à maneira de um “mecano”, por Francis Crick e James Watson no seu laboratório de Cambridge…).  E quando se tratava de simular moléculas no computador, os software disponíveis faziam-no conforme as leis da física clássica ou as da física quântica (a física do mundo dos átomos) - mas não as de ambas ao mesmo tempo, explica ainda a academia sueca.
Por um lado, os programas informáticos clássicos permitiam calcular e processar grandes moléculas químicas, mas só as mostravam no seu estado de “repouso”, o que excluía à partida a simulação de reações químicas, que são fenómenos dinâmicos que demoram uma fração de milissegundo e onde a configuração das moléculas se altera radicalmente. Já quando se tratava de simular reações químicas, era a física quântica a entrar em cena – mas aí, a potência de cálculo necessária era tal que só era possível fazer estas simulações em moléculas pequenas, o que excluía, logo à partida, as grandes moléculas biológicas que são as proteínas. Os trabalhos dos laureados deste ano permitiram aproveitar “o melhor de dois mundos”, com “Newton e a sua maçã a colaborarem com Schrödinger e o seu gato”, lê-se ainda no comunicado da academia.
Em 1970, Warshel desembarcou no laboratório de Karplus, vindo do Instituto Weizmann em Israel. No potente computador do seu instituto de origem, Warshel, juntamente com Levitt, tinha criado um programa capaz de simular moléculas – qualquer molécula, ate às maiores – conforme as leis da física clássica. Por seu lado, Karplus e a sua equipa eram especialistas do desenvolvimento desoftware capaz de simular reações químicas com base na física quântica.
Karplus e Warshel desenharam então um novo tipo de programa, no qual a física quântica era utilizada quando se tratava de simular o comportamento de certas porções das moléculas, enquanto a física clássica tomava conta do resto. Para dar um exemplo atual, nas simulações da forma como um novo medicamento se liga à sua proteína-alvo no nosso organismo, o computador executaria cálculos quânticos apenas nos átomos da proteína-alvo que interagem diretamente com o medicamento, fornecendo a resolução máxima nessa localização.
Dois anos mais tarde, Warshel e Levitt juntaram-se novamente. Levitt interessava-se pelas moléculas biológicas – sobretudo pelas enzimas, essenciais à química dos organismos vivos – e os dois cientistas decidiram simular reações enzimáticas. Em 1976, publicaram o primeiro modelo por computador deste tipo de reação química. “O seu programa era revolucionário porque podia ser utilizado com qualquer tipo de molécula. O tamanho deixava de ser um obstáculo”, escreve a academia.
"A força dos métodos desenvolvidos por Martin Karplus, Michael Levitt e Arieh Warshel reside no seu carácter universal. Podem ser usados para estudar todo o tipo de química, das moléculas da vida aos processos químicos industriais." Um dos sonhos assumidos de Levitt é simular a totalidade de um organismo vivo ao nível molecular. E segundo a academia, "só o futuro pode decidir" se as poderosas ferramentas desenvolvidas pelos laureados irão um dia permitir concretizar esse sonho.”

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Nobel da Física de 2013 para o bosão de Higgs

Prémio distingue o belga François Englert e o britânico Peter Higgs, dois dos físicos teóricos que, há cerca de 50 anos, postularam a existência de uma partícula elementar que confere massa a todas as outras.


"François Englert, da Universidade Livre de Bruxelas (Bélgica), e Peter Higgs, da Universidade de Edimburgo (Reino Unido), partilham este ano o Prémio Nobel da Física “pela descoberta teórica de um mecanismo que contribui para a compreensão da origem da massa das partículas subatómicas, e cuja existência foi recentemente confirmada, através da descoberta da partícula fundamental prevista, pelas experiências ATLAS e CMS do [acelerador de partículas] LHC do CERN”, anunciou em Estocolmo a Real Academia das Ciências Sueca.
Em 1964, Englert e o seu colega Robert Brout (entretanto falecido), por um lado, e Higgs, pelo outro, teorizaram de forma independente que devia existir uma partícula subatómica – que se tornaria famosa sob o nome de bosão de Higgs –, capaz de dar massa a todas as outras partículas previstas pelo chamado Modelo-Padrão da física das partículas, que descreve a composição, a nível subatómico, do mundo que nos rodeia. E, passadas quase cinco décadas, o bosão de Higgs foi finalmente avistado no LHC – o grande o acelerador de partículas do Laboratório Europeu de Física de Partículas (CERN), perto de Genebra, na Suíça – e a sua existência efectiva anunciada em Julho de 2012. A detecção do bosão de Higgs permitiu completar o elenco das partículas previstas pelo Modelo-Padrão.
“Segundo o Modelo-Padrão”, explica em comunicado emitido esta terça-feira pela Real Academia das Ciências Sueca, “tudo, das flores aos planetas, é composto por apenas um punhado de tijolos de construção: as partículas de matéria. Estas partículas são governadas por partículas de força que garantem que tudo no mundo funciona como deve.
”Neste modelo, o bosão de Higgs ocupa uma posição central, uma vez que, sem esta partícula, nós próprios não existiríamos. Trata-se de uma partícula que está presente em todo o espaço e é nas interacções com ela que as outras partículas subatómicas adquirem a sua massa.Mas o bosão de Higgs é extremamente difícil de “apanhar”: só se manifesta de forma extremamente fugidia em experiências que põem em jogo os feixes de partículas mais potentes e os detectores de partículas mais sensíveis que existem no planeta. E de facto, se foram precisos apenas alguns cérebros para imaginar o bosão, a sua detecção exigiu anos de esforços por parte dos cerca de seis mil cientistas que participam nas duas complexíssimas experiências do CERN, ATLAS e CMS, concebidas para detectar o bosão de Higgs na “selva” de partículas criadas nas colisões de protões de altíssima energia do LHC.
Num comunicado que chegou às redacções instantes depois do anúncio do Nobel, o CERN deu os parabéns aos dois laureados. “Estou emocionadíssimo com a atribuição do Prémio Nobel deste ano à física das partículas”, declarou Rolf Heuer, director-geral do CERN, citado no documento. “A descoberta do bosão de Higgs no CERN, no ano passado, que valida o mecanismo de Brout-Englert-Higgs, marca o culminar de décadas de esforço intelectual por parte de muitas pessoas no mundo.”    
Mas o bosão de Higgs não é de todo o fim da história. O Modelo-Padrão apenas descreve a matéria visível que nos rodeia, mas estima-se que cerca de 95% do Universo é constituído por matéria escura, totalmente invisível, e energia escura."

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

OmniFlow no 'Com Ciência'



Com a tecnologia Omniflow, Pedro Ruão pretende acabar com os constrangimentos dos atuais sistemas de microgeração eólica. O objetivo é que, em 2012, a sua invenção esteja no mercado global.

Pedro Ruão, 32 anos, sempre sentiu necessidade criar coisas novas. Até ao projeto Omniflow, todas as suas invenções ficavam arrumadas na gaveta. Não passavam de ideias. Com a participação no Prémio Inovação EDP Richard Bronson, a perspetiva mudou. "Senti-me realmente motivado", revela. No final de 2010, o seu projeto de energias renováveis foi distinguido com uma menção honrosa na 11.ª edição do Prémio do Jovem Empreendedor, promovido pela Associação Nacional de Jovens Empresários (ANJE). Com estas distinções, Pedro Ruão diz que se abrem mais portas, novos contactos e o projeto evolui com mais apoio. Quem sabe não encontra parcerias para a distribuição e promoção do dispositivo que inventou.

O projeto Omniflow pretende conceber um novo sistema de microgeração eólica (energia que provém do vento), que ultrapasse os constrangimentos dos produtos atualmente no mercado. Este dispositivo é uma estrutura imóvel, em forma de cúpula, que, devido às suas aberturas laterais e a uma grande exposição, direciona o vento a partir de qualquer direção (omnidirecional). O sistema adapta-se a vários ambientes e velocidades de circulação de ar, operando quer com vento turbulento quer com velocidades mais reduzidas. O objetivo é começar pela microgeração e evoluir posteriormente para o mercado de grande dimensão.

A ideia nasceu no âmbito do Prémio Inovação EDP Richard Branson. O dispositivo de geração de energia elétrica foi um dos três finalistas, apesar de se encontrar ainda num estado embrionário. "Neste momento, já foram executados e testados 
vários protótipos de pequena e grade escala em que os resultados mostram, claramente, um futuro promissor para a Omniflow", comenta o jovem licenciado em Engenharia dos Materiais, pela Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto. "Na realidade, estamos na presença de uma turbina completamente diferente e inovadora, que não obedece ao mesmo balanço de massas que os dispositivos convencionais", acrescenta. Além de obter um rendimento superior, tem um funcionamento que o jovem afirma ser "notável" em ambientes difíceis como o urbano, onde existem vários fatores que impedem o correto funcionamento dos atuais dispositivos.
UE mais amiga do ambiente 
A tecnologia Omniflow pode ser aplicada em vários mercados. Pedro Ruão escolheu o da microgeração por apresentar um investimento inicial mais baixo e pelas perspetivas de crescimento apontadas pelas organizações internacionais, na ordem dos 40%. Entre as metas ambientais traçadas pela UE para 2020, destaca-se a redução das emissões dos gases causadores do efeito de estufa em 30% e o alcance de uma cota de 20% de energia proveniente de fontes renováveis, no consumo geral da comunidade.

Este sistema pode ser instalado em moradias e edifícios novos. Nos já existentes, o dispositivo é pré-fabricado em material compósito, transportado, desmontado em oito partes e montado no edifício. A estrutura tem um baixo impacto visual, confirmado pelo protótipo de três metros que foi instalado num edifício de sete andares em Vila Nova de Gaia. Nesta instalação, foi possível detetar uma emissão de ruído baixa, "dando muito boas indicações para o futuro". "No que diz respeito às grandes instalações, o mercado offshore [instalações no mar] é o mais atrativo a médio prazo, onde o dispositivo pode ser instalado apenas com recurso a flutuadores", diz. Assim, as fundações são mais fáceis de executar.

No primeiro ano de produção, a Omniflow pretende apostar na microgeração com potências até 10 quilowatt (unidade de medida), prevendo aumentar gradualmente esse valor. Para 2015, o objetivo é entrar no mercado de instalação de dispositivos de grande potência, como as instalações em terrenos montanhosos ou offshore. "Todo o projeto e processos associados implicam extrema delicadeza, dada a natureza da propriedade industrial, pelo que a divulgação da tecnologia ao grande público não será feita antes dum período de aproximadamente oito meses", comenta. Durante este tempo, o capital é aberto a investidores e a tecnologia otimizada, para que possa entra no mercado, à escala global, em 2012.